quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ela preenche a tarde com tinta branca sobre o tecido vermelho vivo
na boca silenciosa, resta só um cravo mastigado, que há horas faz companhia
e o sol lá fora é tanto, que pretende iluminar para além da cortina..

ela para, e se levanta,
se cansa da respiração dificultada pela gripe que ainda domina,
se cansa de ser mulher e dos apetrechos que o feminino carrega consigo:
não sente nenhuma vontade de tirar as sobrancelhas, ("para o carnaval")
nem de vestir suas unhas com qualquer cor que cubra o tom natural

quando tenta refletir sobre o que é belo, fica toda confusa
afinal gosta tanto de cores,
vermelho, lilás, magenta, café, azul petróleo, carmesim, castanho avermelhado, cereja...
mas é como tinta sobre papel: colore e pesa

não faz (mais) parte dela não, não é feito tatuagem
não tem raiz,
é terra teimosa onde este tipo de semente não brota, de jeito algum.